O MINISTRO da Juventude e Desportos endereçou uma mensagem à Selecção Nacional de Futebol, na qual diz que o país acompanhou, com vivo interesse e sempre com renovada esperança, a sua participação na fase final da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações Angola-2010.
Uma participação que, conforme refere Pedrito Caetano, apesar de não ter atingido os objectivos preconizados, de nenhuma forma deslustra, pois, em todas as partidas, foi visível em cada jogador o esforço e a abnegação para sempre fazer o melhor e construir a almejada vitória.
Segundo o governante, os moçambicanos, nas cidades e vilas, nas localidades e nas povoações mais recônditas, estiveram permanentemente com os “Mambas”, vibrando com a beleza do seu futebol, que através do qual o nosso país se tornou mais conhecido e mais prestigiado no concerto das nações.
“Embora os resultados não tenham sido dos melhores, vocês, briosos “Mambas”, são e continuarão a ser os nossos heróis. São e continuarão a ser referências inquestionáveis para a nossa juventude, em particular para os desportistas. A partir da vossa experiência, estamos certos que mais jovens se dedicarão ao desporto, fonte para a busca da saúde e do bem-estar físico e moral”, escreve o ministro Pedrito Caetano.
O titular da pasta da Juventude e Desportos sublinha que à Federação Moçambicana de Futebol, a todos os dirigentes desportivos, treinadores e atletas gostaria de recordar que o final de um campeonato é, consequentemente, o início de uma nova caminhada, daí esperar, desde já, que iniciem a planificação e trabalhem para que o nosso país, daqui a dois anos, volte a fazer parte das 16 melhores selecções de futebol de África.
Recorde-se que, antes do embate da derradeira jornada do Grupo “C”, no Lubango, diante da Nigéria, Pedrito Caetano conversou, telefonicamente, com o capitão dos “Mambas”, Tico-Tico, e com o presidente da FMF, Faizal Sidat, encorajando a equipa a dar o seu máximo nessa decisiva partida.
Jornal Desportivo de Moçambique é um projecto de ambito nacional e tem como missão reunir, conservar e difundir a documentação de carácter desportiva.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
CAN ANGOLA-2010: Gabão e Guiné-Equatorial candidatos ao próximo CAN

DUAS delegações encabeçadas pelos ministros dos Desportos do Gabão e da Guiné-Equatorial deslocam-se a Luanda para apresentar amanhã, em conferência de imprensa conjunta, o projecto da 28ª edição da Taça de África das Nações em futebol, a disputar-se em 2012, naqueles dois países da África Central.
De acordo com o secretário-geral adjunto do Comité Organizador do Campeonato Africano das Nações (COCAN) de 2012, o equato-guineense Mariano Ebang Anguesomo, que prestou a informação à ANGOP, a cerimónia será realizada no Hotel de Convenções Talatona, às 17.00 horas (18.00 horas em Maputo).
Adiantou que o programa da sessão compreende um vídeo dos dois países, uma conferência de imprensa conjunta e um cocktail, pelo que aproveitará o momento que se vive em Angola, com a disputa do CAN2010, para mostrar aquilo que está a ser feito pelos organizadores da próxima festa desportiva no continente berço da humanidade.
Em relação à Guiné-Equatorial, Mariano Ebang referiu que a população do seu país está já a ser sensibilizada sobre o evento, baseando-se no exemplo de Angola, que recebeu os visitantes de mãos abertas e acredita que dentro de dois anos a festa estará garantida.
“Nas duas cidades guineenses que albergarão a prova - Bata e Malabo - vamos mobilizar jovens estudantes para encher os estádios. Em princípio, a política de sensibilização dos adeptos será a mesma nas cidades gabonesas de Libreville e Franceville. A nível dos adeptos temos certeza que teremos a maior afluência de públicos aos estádios”, perspectivou o dirigente desportivo.
O também secretário-geral da Federação Equato-Guineense de Futebol explicou que o seu país está preparado para acolher a prova, pois considera que o facto de ter recebido em 2009 o CAN/feminino, ganho pelas anfitriãs, deverá facilitar a organização.
“Temos as condições criadas, com infra-estruturas desportivas. Essas vão sofrer retoques para adequá-las às exigências da CAF. Tal como Angola fez, também vamos construir dois campos de apoio em cada cidade. Os hotéis também estão a ser construídos e outros em reabilitação para acomodar os visitantes”, pontualizou.
A nível das estruturas sanitárias, a Guiné-Equatorial está, segundo Mariano Ebang, a investir igualmente nessa área. Por isso, reforçou, outras unidades beneficiam de obras de melhoramento. “Essa experiência, em Angola, é válida, porque conseguimos ver como podemos avançar para uma organização exitosa”, concluiu.
CAN ANGOLA-2010: Eto’o ausente do treino mas dado com apto

O “CAPITÃO” da selecção camaronesa, Samuel Eto´o esteve ausente do treino de sábado, a segunda vez desde que a comitiva dos Camarões iniciou a participação na Taça das Nações Africanas (CAN-2010).
“Isto é uma precaução”, disse à AFP fonte próxima dos “Leões Indomáveis”.
O avançado do Inter chegou à CAN-2010 com uma pequena mazela no pé direito, mas sofreu um toque no tornozelo esquerdo no passado domingo, com a Zâmbia, e saiu a coxear no final do empate com a Tunísia (2-2).
Outra fonte de informação relatou à AFP que Eto´o se ausentou para se reunir com o ministro do Desporto dos Camarões.
CAN ANGOLA-2010: RESULTADOS DE ONTEM (QUARTOS-DE-FINAL)
Mexer apresenta-se no Sporting esta semana

NA aproximação da reabertura do mercado de Inverno, Mexer foi a primeira contratação do Sporting, ainda antes de João Pereira e Sinama-Pongolle.
Mas a situação do defesa-central, ex-Desportivo de Maputo, é diferente, pois, ao que tudo indica, deve ser cedido por empréstimo até final da temporada. E é para definir o futuro que o moçambicano prepara o regresso a Lisboa, que deve acontecer esta semana.
O jogador esteve ao serviço da selecção de Moçambique, que já terminou a participação no Campeonato Africano das Nações (CAN), e está agora a tratar do visto para voltar a Portugal.
Uma vez em Lisboa, vai ouvir o que a administração do Sporting lhe reservou. O empréstimo é o cenário desenhado mas Mexer ainda não perdeu a esperança de poder integrar a equipa principal dos “leões”.
Barcelona invencível entra para a história

PELA primeira vez na sua história, o Barcelona terminou a primeira volta do campeonato espanhol sem qualquer derrota sofrida: nas 19 jornadas realizadas, cedeu apenas quatro empates.
No sábado, a viagem a Valhadolid terminou com um triunfo por 3-0 e, com isso, mais uma página de ouro se pôde escrever sobre a equipa liderada por Pep Guardiola: tornou-se na quinta a terminar invicta a primeira volta, juntando-se ao Atlético de Bilbau, Espanhol, Real Sociedad e Real Madrid (este já o conseguiu em mais do que uma ocasião).
Além do mais, os três pontos ontem conquistados permitiram aos blaugrana aumentar para oito a vantagem sobre o eterno rival Real Madrid. E o triunfo do Barcelona começou a desenhar-se à passagem dos 20', altura em que Xavi inaugurou o marcador. Dois minutos depois coube a Daniel Alves ampliar a vantagem, pertencendo ao inevitável Messi o derradeiro golo do encontro - já leva 15 na Liga, da qual é o máximo artilheiro.
Com isto tudo, a última derrota do Barcelona no campeonato remonta a 23 de Maio do ano passado, altura em que o Osasuna venceu em Camp Nou (1-0, golo de Pandiani), quando os catalães já tinham assegurado o título.
Uzaras Mahomed no Atlético Muçulmano

Deixa Ferroviário de Nacala
Está confirmado! Uzaras Mahomed é o novo treinador do Atlético Muçulmano, formação que ano passado somente assegurou a manutenção no Moçambola na última jornada, mesmo depois de perder com o FC Lichinga por 1-0. O técnico, que vai substituir no cargo Arnaldo Salvado, assinou um vínculo válido por uma época.
Esta informação foi confirmada ontem ao “O País” por Omar Gafur, presidente desta colectividade. “Chegámos a acordo com Uzaras Mahomed. Ele assinou um contrato por uma temporada. É com este técnico que vamos trabalhar”, referiu o dirigente. Omar Gafur disse ainda que o Atlético Muçulmano abre as suas oficinas hoje, com a realização de uma sessão no circuito de manutenção António Repinga.
O dirigente disse ainda que não podia avançar com os nomes dos reforços para esta temporada, porque ainda decorrem conversações com alguns jogadores. Garantiu, isso sim, que o guarda-redes Samito, a treinar no Maxaquene, tem contrato com este clube até ao final deste ano. “Devo dizer que o Samito ainda é nosso jogador. Danito Nhampossa, Nelito e Ngoni já não têm contrato com o clube”, acrescentou.
Na temporada passada, o Atlético Muçulmano quedou-se na 11ª posição da tabela classificativa, com um total de 30 pontos. Foi, de resto, uma temporada bastante fraca para esta formação, que em 2008 ficou em segundo lugar na prova, com 51 pontos, menos cinco que o Ferroviário de Maputo, que se sagrou campeão nacional.
Depois de uma passagem conturbada pelo Ferroviário de Nacala, equipa que foi despromovida ao acupar a última posição no Moçambola, com 15 pontos, Uzaras Mahomed volta a treinar uma equipa do primeiro escalão do futebol nacional.
O técnico, que em 2006 conduziu o Desportivo na conquista do Moçambola e da Taça de Moçambique, vai encontrar uma equipa que em 2008 fez uma boa campanha, confirmada pelo segundo lugar.
Já no ano passado, teve de “sofrer a bem sofrer” para assegurar a manutenção no Moçambola, numa temporada em que Arnaldo Salvado apareceu muitas vezes a criticar os dirigentes, alegadamente por não terem criado boas condições para os jogadores.
Este ano, o conjunto perdeu dois jogadores experientes e que faziam parte da sua espinha dorsal, nomeadamente, James e Baúte. Ainda assim, Uzaras Mahomed tem o desafio de montar um conjunto coeso e que lute pela manutenção na maior prova do calendário futebolístico nacional.
Textáfrica abriu oficinas semana passada

Textáfrica de Chimoio, primeiro campeão nacional de futebol, já abriu as suas oficinas tendo em vista o Moçambola-2010, com uma equipa praticamente renovada.
Tudo porque a maior parte dos jogadores que ano passado ajudaram os “fabris” do planalto a assegurarar a manutencação no Moçambola deixou o clube para tentar a sorte noutras formações.
Dos jogadores que ficaram, o destaque vai para Loló, Dedinho, Dondo, Rúben e Ussene.
Por outro lado, o Textáfrica do Chimoio ainda não tem um treinador. A direcção desta colectividade está no mercado à procura do sucessor de Alex Alves, técnico brasileiro que este ano vai orientar o Ferroviário da Beira.
Seja como for, os “fabris” do planalto trabalham a todo o gás, sendo que o grande objectivo passa pela manutenção no Moçambola.
Feizal Sidat dá o “dito por não dito”

“Estamos à espera da resposta do Mart sobre a nossa proposta de renovação".
Uma fonte da Federação Moçambicana de Futebol diz ter conhecimento de que o técnico holandês terá recebido uma proposta irrecusável da Nigéria.
Depois de através dos microfones da Rádio Moçambique (RM) ter anunciado ao país e ao mundo, a partir de Lubango, Angola, que a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) não avançaria mais com a proposta de renovação de Mart Nooij, Feizal Sidat, presidente deste organismo, desmentiu tal afirmação, ao nosso jornal, à sua chegada ao país.
Porém, o homem forte do prédio Fonte Azul diz ter sido mal interpretado pela imprensa. “Eu não disse que iríamos interromper as negociações com Mart. Disse, sim, e é um facto, que em qualquer parte do mundo, quando uma equipa ou uma selecção não ganha, tem de sofrer mudanças”.
Questionámos a Feizal Sidat sobre que mudanças, ao que, em resposta, afirmou que “podia ser a nível da equipa técnica ou mesmo de jogadores. Pode ser que tenhamos de mudar o secretário técnico, os adjuntos ou mesmo o técnico principal. Não disse, implicitamente, que seria o Mart Nooij o sacrificado. Mas permita-me lembrá-lo que o contrato dele termina agora (30 de Janeiro).”
O presidente da Federação Moçambicana de Futebol acrescentou que na quarta-feira, logo depois da derrota com a Nigéria, que ditou o afastamento dos Mambas, disse o que disse e da forma como disse porque estava com os ânimos exaltados.
NUNCA PRERESSIONEI MART
Uma das questões que têm sido levantadas pela imprensa desportiva nacional, e até mesmo pelo público, tem que ver com o relacionamento entre Feizal Sidat e Mart Nooij, ao que consta, não muito salutar, aliás, o que ficou patente nas palavras deste em reacção à derrota e consequente afastamento dos Mambas, mais uma vez, na primeira fase do Campeonato Africano das Nações (CAN). No tocante a esta matéria, Sidat disse que “nunca interferi no trabalho da equipa técnica. Essa não é a minha postura. Digo-lhe mais, as decisões que tomámos são postas em prática após um consenso federativo.
Relaciono-me bem com Mart e com toda a equipa técnica”, garantiu.
AGURDAMOS A RESPOSTA DE MART
A proposta de renovação com o seleccionador nacional, Mart Nooij, foi apresentada antes mesmo de o combinado nacional partir para Angola, para tomar parte na 27ª edição do Campeonato Africano das Nações, CAN-2010. Em entrevista ao nosso jornal, nas vésperas do arranque da prova, António Chambal, vice-presidente da Federação Moçambicana de Futebol para a Área das Selecções Nacionais, já tinha avançado esta informação.
E já com os ânimos serenados, Feizal Sidat realçou que a entidade reguladora do futebol nacional tinha mesmo apresentado a referida proposta ao técnico. “Nós continuamos interessados em ter Mart Nooij como seleccionador nacional. Agora cabe a ele decidir se aceita a proposta que lhe apresentámos. Aguardamos serenamente a resposta do técnico, o que deverá a contecer antes do dia 30 de Janeiro”, referiu.
MAMBAS TIVERERAM BOM DESEMPENHO NO CAN
Terminou sem eira nem beira a participação dos Mambas, no CAN-2010. Foi a quarta presença de Moçambique numa competição do género, e como nas outras vezes, 1986, 1996 e 1998, o nosso país não passou sequer da primeira fase, tendo somado apenas um ponto, fruto do empate a dois golos com o Benin.
De resto, como é sabido, os Mambas somaram por derrotas os restantes dois jogos (0-2 com o Egípto; 0-3 com Nigéria).
Isac Naiene
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
CAN ANGOLA-2010: Mart Nooij de saída?

QUARTA-FEIRA à noite, em pleno Estádio Nacional da Tundavala, no Lubango, no final do desafio contra a Nigéria e que ditou o afastamento de Moçambique do CAN Angola-2010, o presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Faizal Sidat, disse a jornalistas nacionais e estrangeiros que o técnico holandês Mart Nooij não continuaria a dirigir os destinos dos “Mambas”, em virtude de não ter conseguido o objectivo de colocar a equipa, pelo menos, nos quartos-de-final.
Ainda segundo Faizal Sidat, tendo em conta que, durante o presente ano, a selecção não terá uma actividade bastante intensa – apenas tomará parte nas eliminatórias do CAN-Interno -, não se justifica a manutenção de um treinador a tempo pleno como Mart Nooij, com um contrato financeiramente muito elevado.
Só que, nos corredores do hotel onde a equipa se encontra alojada, alguns membros da FMF desmentem a saída do “mister”, afirmando que em nenhum momento a Direcção da Federação se reuniu para tomar tal decisão, pelo que o pronunciamento do presidente cabe só e somente a ele. Por outras palavras, mesmo se colocando a hipótese da não renovação com o holandês, até aqui Mart Nooij é o treinador dos “Mambas”.
Uma fonte da Direcção da FMF disse-nos que é deselegante o técnico tomar conhecimento do seu afastamento através de uma entrevista do presidente aos órgãos de comunicação social, uma vez que a Federação ainda não sentou com Mart Nooij para efectuar o balanço desta competição e nem tão pouco para abordar a renovação do seu contrato ou não.
Enquanto isso, a notícia do afastamento do holandês já circula o mundo e tem sido objecto de muitos comentários em Angola, afirmando-se que Mart Nooij conseguiu fazer um belíssimo trabalho em Moçambique, ao apresentar uma selecção altamente competitiva e que, apesar de afastada do CAN, se exibiu de forma deslumbrante perante grandes adversários como Egipto e Nigéria.
Mesmo os jogadores, que leram a notícia a partir de diversos “sites” internacionais, mostraram-se contrariados com a forma pouco cortês como se anunciou a demissão do seu treinador, independentemente das razões que possam ser invocadas pela Federação.
CAN ANGOLA-2010 - Como actuaram os “Mambas” diante da Nigéria: Escassas soluções ofensivas para tanto requinte no meio

MART Nooij mantém-se inamovível na seguinte apreciação aos desequilíbrios que se têm verificado na defesa, com particular realce para a zona central: estamos desprovidos de três grandes pedras que marcaram de forma irrepreensível este sector, designadamente o falecido Nando Matola, o lesionado Mano e o ora trinco Simão.
Para o “mister”, esta é a razão clara e objectiva para situações como as que levaram, por exemplo, Dário Khan a marcar dois golos na sua própria baliza.No entanto, de um facto não se pode queixar o técnico holandês: um conjunto de belíssimos executantes na linha intermediária, harmoniosamente entrelaçados e que, diante da Nigéria, na quarta-feira, no Estádio Nacional da Tundavala, no Lubango, alimentaram com todo o requinte os homens da frente, porém, a estes faltaram soluções para se desenvencilhar da retaguarda nigeriana, sobretudo da defesa em linha montada para atrair os moçambicanos a caírem para o “off-side”.
Embora Genito tenha sido um grande obreiro, tendo, inclusive, protagonizado remates que obrigaram o guarda-redes Vincent Enyeama a defesas de recurso, Simão e Dominguez, com a sua perfeita sincronia, voltaram a ser os elementos de maior relevância na turma moçambicana, com o primeiro a mostrar-se destemido em todas as funções e o segundo impecável na elaboração de jogadas de ataque.
Neste CAN Angola-2010 está sendo perfeitamente clara a maturidade de Simão. Joga sem se atrapalhar e, no caso concreto da partida contra os nigerianos, foi o principal responsável pela não aparição de Obi Mikel. Simão não deixou espaço de manobra para o estratega das “Super Águias”, daí que acabou sendo Odemwingie, a partir dos flancos, a provocar situações de perigo junto à baliza moçambicana.
Conhecendo a sua excelente capacidade de drible e óptima leitura de jogo, os nigerianos optaram por montar uma vigilância cerrada sobre Dominguez, mas, mesmo assim, o menino-maravilha não deixou de ser aquele habitual diabo à solta, com fintas repentinas e solicitações para o lugar certo. Pena é que, repetimos, por vezes Dominguez leva tempo à procura de um colega melhor desmarcado, em detrimento de jogar com alguém que esteja próximo para desse modo se proporcionarem mais linhas de passe.
Obrigado a aplicar-se a fundo, tanto em voos como em lances rasteiros, Kampango viu-se “bombardeado” por múltiplos remates, uma vez que as “Super Águias”, achando ser difícil orquestrar penetrações, preferiam chutar à meia distância. Nos pontapés de canto, o “keeper” moçambicano mostrou-se atento, saindo com os punhos.
E nos golos? O remate de Odemwingie, no primeiro caso, foi indefensável e, no segundo, tratou-se de um toque rápido depois de um contra-ataque também rápido, com a defesa a reclamar um suposto fora-de-jogo. No terceiro, a sua aplicação ao remate de Obi Mikel, após roubar a bola a Paíto, foi maravilhosa, mas já não conseguiu evitar a entrada vitoriosa de Obafemi Martins, na recarga.
GÉNIO DE GENITO
Enquanto as condições o permitiram, Campira cumpriu bem o papel de ataque que ele muito bem gosta, no entanto, sem os habituais cruzamentos para a área, pois, com o esquema montado pelos nigerianos de concentrar muitas unidades no meio-campo, dificilmente se podia ultrapassar aquela barreira. Agravava a situação o facto de Odemwingie jogar naquele lado, ditando dessa forma um grande comedimento de Campira. Se tivesse caído em cima do adversário, provavelmente o remate para o primeiro tento não teria saído nas condições em que saiu.
Depois de ter actuado ao lado de Mexer em duas partidas, Dário Khan formou parelha com Fanuel, em virtude da lesão do central “alvi-negro”. Dário, como sempre, joga de forma determinada, vai à luta sem quaisquer temores, o que fez com que o ponta-de-lança Yakubu não dispusesse de espaço para rematar. Desta vez, esteve atento aos seus cortes/remates para a baliza de Kampango. Fanuel também esteve bem, principalmente porque soube gerir situações de “despachar” o esférico, quando o perigo fosse iminente, e de sair com a bola controlada e jogar à vontade.
Paíto procurou explorar da melhor forma o seu flanco, com rasgos bastante rápidos, esbarrando, porém, no compacto meio-campo contrário. Como solução, tentou o remate à meia distância e até se saiu bem, ao criar situações que obrigaram o guarda-redes Enyeama a defesas de recurso. Todavia, Paíto comprometeu no lance do terceiro tento, ao perder a bola, incompreensivelmente, para Obi Mikel.
Com o seu génio, Genito foi um dos homens mais em evidência no conjunto moçambicano. Jogou e construiu lances para os colegas. Firme com o esférico nos pés e a subir pela linha lateral, foram da sua iniciativa as solicitações à dupla atacante, tanto no jogo aéreo como no rasteiro. Em várias ocasiões “encheu o pé” para defesas apertadas do “keeper” nigeriano. Exausto, foi substituído aos 67 minutos por Josimar. O jovem “canarinho” trouxe a sua dinâmica ao jogo, mas não acompanhado, dado que os colegas já tinham caído no conformismo e as iniciativas rareavam.
Miro não foi explosivo tal como lhe é peculiar. Mesmo assim, cumpriu o seu papel de construtor de jogadas de ataque, sobretudo por se acrescentar como mais um elemento no ataque. Aos 74 minutos, foi rendido por Momed Hagy, que se encaixou no jogo defensivo então adoptado pelo técnico, na tentativa de perder por menor número de golos.
A parelha da frente não foi capaz de bater a retaguarda nigeriana. Vendo que era difícil jogar entre aqueles gigantes, Tico-Tico ainda recuou para iniciar jogadas a partir do meio-campo, só que complicava a situação, dado que acabava por exercer o mesmo papel de Dominguez.
Viu-se, nitidamente, que está diminuído fisicamente, não se compreendendo a sua manutenção nas quatro linhas até aos 90 minutos. Dário Monteiro, por seu turno, bem tentou lutar ali na zona frontal à baliza, mas debalde. Foi pouco solicitado pelos colegas e os seus remates foram contra o corpo dos adversários. Danito Parruque, que o substituiu aos 83 minutos, teve pouca acção na partida.
CAN ANGOLA-2010: Fim da estrada na Tundavala!

PETER Odemwingie viu subir em flecha a sua cotação na bolsa de valores do futebol continental, e não só.
Chegou a Angola, palco da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações, a bordo de uma Nigéria titubeante e cujo futebol, até quarta-feira, não tinha convencido rigorosamente a ninguém, a despeito da sua abundante e inquestionável nomenclatura. Após duas partidas em que praticamente passou despercebido, tal como, aliás, a própria equipa, Odemwingie acabou por oferecer às “Super Águias” uma qualificação para os quartos-de-final que, embora fosse previsível, não teve nada de deslumbrante.
A inspiração do meio-campista nigeriano, com dois tentos superiormente bem construídos e de belo efeito, juntando-se ao golo do aparecido Obafemi Martins, deitou abaixo o lindo sonho dos “Mambas”, que se despediram das terras angolanas como uma exibição repartida entre o bom e o suficiente, a pecar, no entanto, pela ausência de acutilância dos seus avançados e, claro, do primordial numa partida de futebol: os golos. Foi o fim da estrada na Tundavala, o majestoso Estádio Nacional do Lubango, onde a turma moçambicana actuou pela última vez nesta competição.
Ao contrário doutras grandes selecções africanas, nomeadamente Egipto e Costa do Marfim, que efectivamente têm estado a maravilhar tudo e todos com o seu futebol altamente competitivo, bem elaborado e convincente, a Nigéria apresenta uma cara tristonha. A sua forma de jogar não vibra. Não chama a atenção.
As suas estrelas, que dentro de cinco meses estarão no Campeonato do Mundo da África do Sul, têm passado despercebidas. Obi Mikel, que na zona nevrálgica assume o papel de maestro da equipa, procura interpretar cabalmente a missão, no entanto, os nigerianos não conseguem reluzir e as jogadas ofensivas são construídas fortuitamente, isto é, sem aquele desfiar do novelo que seria de desejar.
Conhecendo Moçambique a partir dos confrontos directos da fase de apuramento, o técnico Amodu Shuaibu quis inverter o cenário da sua declarada demissão pela Federação Nigeriana, colocando nas quatro linhas um esquadrão objectivamente de morte, com quatro homens na retaguarda, cinco na linha intermediária e apenas um à frente, mas com funções bem definidas, particularmente em relação aos do meio-campo: dois no apoio aos defesas, de forma a suster quanto possível a avalanche contrária, que preferencialmente é executada a partir dos flancos, e três na orquestração de jogadas ofensivas para alimentar o possante Yakubu.
Trata-se de uma estratégia que acabou funcionando bem, se se considerar não somente a vitória como também os desequilíbrios que as “Super Águias” conseguiram sobretudo na segunda parte, altura em que de forma vincada vieram ao de cima as diferenças de ritmo e de busca de soluções para as situações mais complicadas.
MART CONSERVADOR
Conservador por natureza, o holandês Mart Nooij é conhecido como um técnico que não gosta de arriscar. Traz de casa um determinado conjunto de atletas e mantém-se fiel a eles e aos seus princípios de jogo. Tacticamente bem elaborados, os “Mambas” são hoje uma formação que discute cara-a-cara com qualquer adversário.
Neste embate, os nigerianos procuraram fechar as unidades mais salientes da equipa, caso de Dominguez, assim como deter as cavalgadas dos laterais Campira, Genito, Paíto e Miro. Mais: submeteram os avançados num verdadeiro colete-de-forças, não possibilitando que Tico-Tico, um tanto ou quanto diminuído, e Dário Monteiro, ainda não totalmente recomposto da lesão, pudessem de facto jogar.
Resultado: se tudo era elaborado com eficiência, mesmo a partir do eixo central, através da espectacular acção de Simão, que mais uma vez teve uma magnífica colaboração com Dominguez na construção de contra-ataques, o desencanto se verificava na zona do golo, porquanto os homens da frente se mostravam bastante inferiores em relação aos defensores contrários.
Nalgumas situações, não se percebia perfeitamente se Tico-Tico e Dário Monteiro eram ambos pontas-de-lança, tal como tem sido habitual, considerando a fluidez ditado pelas entradas dos laterais, ou se era apenas Dário metido em cunha entre os centrais nigerianos, com o capitão Tico-Tico mais descaído para a intermediária.
Entretanto, a despeito destas complicações de natureza táctica – também influenciadas pela forma como os nigerianos se fechavam – a equipa conseguiu, quando pôde, realizar o jogo que lhe é característico, chegando, nalguns casos, a confundir as “Super Águias”.
Abrir brechas para fazer jogar os avançados, criar linhas de passe e desmarcações através de passes longos, tudo isto foi efectuado com a perfeição devida, razão pela qual a Nigéria se viu obrigada a concentrar mais homens à volta da grande área, defendendo à zona, pois as entradas dos “Mambas” se sucediam, tanto pelos flancos como pelo corredor central.
Só que, quando Odemwingie se decidiu por aquele remate seco, com o pé esquerdo, traindo a atenção de Kampango, no fecho do primeiro tempo, e pelo toque subtil após cruzamento primoroso de Yakubu, no início da etapa complementar, toda a beleza do futebol moçambicano foi deitado abaixo e, consequentemente, as suas esperanças de seguir em frente nesta prova continental.
Daí para frente, a equipa entrou num verdadeiro desânimo e, como o treinador também não trazia soluções do banco nem da sua imaginação, o fim da estrada, na Tundavala, foi inevitável, ficando para a história a participação de Moçambique na 27ª edição do Campeonato Africano das Nações Angola-2010 e a simpatia destes “kambas” que tanto em Benguela como no Lubango foram inexcedíveis.
ALEXANDRE ZANDAMELA, no Lubango
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