sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Chicotadas psicológicas continuam a desanuviar tensões




No mundo de futebol, são frequentes as chicotadas psicológicas, em várias equipas, durante a realização de um campeonato. Umas são lógicas e outras chegam a ser forçadas, pois a vítima nem sempre tem tempo para se explicar, porque as causas dos maus resultados podem ter uma origem conjuntural. Mas o facto de haver necessidade de se encontrar um culpado, nestas situações, o treinador acaba sempre por ser a vítima.

As chicotadas são formas de desanuviamento da tensão psicológica dentro de uma equipa desportiva, mormente colectiva, que se encontrando numa situação de aflição na tabela classificativa ou pouco habitual, para o estatuto competitivo da colectividade, procura-se um culpado, ou melhor, o bode expiatório, passe a expressão, da situação que a mesma vive.

Se tivermos uma equipa desportiva com um sistema fechado, distinguimos como elementos principais estruturantes o dirigente, treinador e atleta. Estes elementos são os mais importantes e fazem mover, como uma força convergente única, o sistema competitivo da equipa.

Os dirigentes desportivos, por terem o poder de decisão dentro do grupo, podem atribuir a culpa aos outros dois elementos importantes, treinador e atletas. Contudo, pelo facto de os atletas serem muitos, estamos a falar de desporto colectivo, o sacrificado acaba por ser sempre o “coitado” treinador, com culpa ou sem ela no cartório. (Este ano, no nosso Moçambola, exemplos abundam: Akil Marcelino, Uzaras Mahomed, João Chissano, Alberto Gimo, Alex Alves e Euroflim da Graça).

Muito antes de ser encontrado o acusável, todos têm o peso de consciência relativamente ao problema que a equipa esteja a viver e que se manifesta em maus resultados competitivos. Logo, todos se sentem culpados e o clima de desconfiança instala-se na equipa. O stress cresce com o evoluir do tempo e todos procuram encontrar a solução para o problema. contudo, isto passa inicialmente por se encontrar um transgressor ou os acusáveis.

Várias têm sido as razões que levam uma equipa desportiva aos maus resultados, entre as quais a falta de pagamento de salários (o FC Lichinga está há sete meses sem receber e já está em greve) e prémios de jogos, credibilidade do treinador junto aos atletas, mau relacionamento entre estes e o primeiro, incumprimento pelos atletas dos regimes de recuperação, condições de treinamento desportivo, alojamento ou alimentação.

Para um dirigente desportivo, seria fácil resolver a situação dos salários e prémios de jogos, mas como aquele depende do voto dos sócios, antes do pagamento dos salários e prémios, tem que encontrar um culpado a fim de não aparecer como sendo responsável pelos maus resultados, daí que, o único “criminoso” é o treinador.


Crescêncio José

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